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A criança e o amor em cada poesia

A dona de casa Arina Quinto, 38 anos de idade, chegou com uma antecedência de quem vai pegar um autógrafo de um pop star do rock internacional. Ela estava acompanhada especialmente do filho Heitor Quinto Marinho, de apenas um ano de idade comemorados recentemente.

A festa, toda tematizada com a obra do ídolo Bráulio Bessa foi uma das amostras do grande carinho e respeito que o poeta de Alto Santo vem conquistando com o seu público, uma admiração não só de pop star mas, sobretudo, de referencia cultural e de valores. “Eu começo a falar e já dá vontade de chorar…ele consegue passar uma emoção muita verdadeira em tudo o que diz e isso toca a gente”, conta Arina após esperar mais de 3h pela chegada do poeta.

Ela conta, ainda, que só soube depois que o artista contratado para fazer o convite da festa do seu filho, Perron Ramos, era o mesmo responsável pela ilustração do livro Poesia com Rapadura, de Bráulio Bessa. Todo o amor pelo cordel e poesia nasceu quando Arina viu o primeiro vídeo do Bráulio no movimento Nação Nordestina sobre preconceito contra os nordestinos na internet. “A partir daí não parei mais, veio a TV, o livro e estou sempre acompanhando o que ele faz”, conta a dona de casa Arina.

 

 

A fé e a poesia

Heitor Quinto Marinho já batizado de nome forte, de guardião, do grego Héktor, nasceu nordestino trazendo a esperança e o amor após luta e sofrimento. A dona de casa Arina vinha de uma gravidez de gêmeos, seguida de um óbito. “A dor foi muito grande, mas a fé em Deus, em Nossa Senhora e as mensagens e a poesia do Bráulio me deram força. Engravidei novamente e aqui está o Heitor”, conta emocionada a dona de casa.

E a ligação com o poeta não parou por aí. “Durante a leitura de um cordel que compus em homenagem ao Heitor (O menino com nome de doto), me veio aquela sensação boa de que a poesia do Bráulio me inspirava. Daí decidi fazer o aniversário todo em cordel, sertão e inspirado na obra dele”, explica Arina contando que somente depois soube que o artista convidado pra fazer o convite da festa do Heitor era o mesmo que ilustrou o livro do poeta.

“Acredito demais em destino. Tudo isso não foi obra do acaso”, diz Arina sorridente e sempre tímida, explicando que narrar o nordestino fora do estereótipo de sofredor é uma das razões pra ser fã da obra de Bráulio. “Ele sempre enfatiza nossas tradições, nossa cultura, nossa força, fé, costume de ficar na calçada conversando. Tudo isso valoriza demais o sertanejo”, conclui Arina, que por toda a emoção não teve a calma de contar a sua história de fé, superação e amor por sua poesia.

 

O menino com nome de dotô

Depois de dez longos anos
Não se achava que viria mais menino
Pois não é que Arina embuchou
De dois pequeninos, mas só um vingou
O casal entristecido ficou
Arina no coração carregava a esperança
De um dia reencontrar aquela criança

Dois anos e seis meses depois
Um enjoo e uma pontada
E ela achou estar adoentada
Resolveu procurar um dotô
O dotô exames passou e logo atestou
Que doença que nada a senhora foi abençoada
No seu ventre existe uma nova vida

O casal exclamou:
-Abençoada?! Uma nova vida?!
-Sim e é um menino, disse o dotô
E agora? A vida já é tão sofrida
Jr. Brown se preocupou e Arina chorou
Em meio a lagrimas Arina a voz de Deus escutou:

“- Acalme seu coração apenas atendi seu pedido
Seu filho querido será devolvido
E peço que seja recebido com muito Amor”
Assim o casal se conformou
Arina na virgem Maria se apegou
Dia a pós dia o menino era esperado
Eis que não nasce no dia marcado
A ansiedade consumia
Arina sempre apegada
A virgem Maria
Pois somente ela e seu pequeno
Sabiam de certo o dia
Não adiantava se apressar
Pois o dia certo havia de chegar

Um mês festivo e abençoado
Santo Antônio, São Pedro e São João
Mês também da virgem da paixão
Ao amanhecer
Não era o dia marcado
Mas foi o escolhido pelo
Esperado filho querido

O menino anuncia sua chegada
Mamãe toma o café apressada
E se enche de alegria
No dia de Nossa Senhora perpetuo Socorro
Essa foi a virgem que o abençoou
E como foi combinado
Foi recebido com muito Amor

As quatorze horas
Do dia vinte e sete de Junho
Do ano de dois mil e quinze
Nasce o pequeno cabra da peste
Em uma das mais lindas capitais do nordeste
O menino com nome de dotô
Essa é a historia do pequeno Heitor.
Seu primeiro ano de vida será
Comemorado com muito festejo
Unindo o sertão com a tecnologia
Você não pode faltar nesse dia
Será no Game Station Shopping Parangaba
As dezenove horas fica combinado
Do dia vinte e sete de Junho esse é o dia marcado
Sua presença será de muito agrado
Família Brown

Texto : Arina Quinto